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Estou parada no meio da sala com meu filho recém-nascido num braço e a escova de dentes na outra mão. A escova não é minha. É da minha filha de 3 anos que continua sentada no sofá da sala se negando a ir pra cama. Estou pedindo encarecidamente para ela escovar os dentes para ir dormir enquanto meu filho chora sem parar nos meus braços.

Sim, estou tentando não deixar ele cair no chão e também tentando colocar minha filha na cama. Estou cansada depois de um dia longo de coisas que tive que fazer. Se pelo menos um dos dois fosse pra cama, tudo ficaria mais fácil… Mas eu sei que meu filho precisa mamar. Ele está com fome. E é verdade que eu poderia muito bem pedir para meu marido me ajudar com a minha filha, mas eu estou decidida a fazer tudo sozinha droga!
Eu consigo muito bem dar de mamar e escovar os dentes da minha filha ao mesmo tempo, não é?

Se você é mãe e está lendo isso, com certeza já caiu nessa armadilha alguma vez. A armadilha do: Eu posso fazer tudo. Eu sou mãe. Sou professional. Sou tudo o que significa ser mulher. Sou uma leoa!
Poucas de nós não caíram nesse papel de Super Mãe em algum momento ou até mesmo todos os dias das nossas vidas.

Por que será?

Por que há tantas mães que se negam a pedir ajuda quando realmente precisam?

Acredito que seja basicamente por dois motivos….

Os dois motivos pelos quais nos auto-declaramos Super Mães

O primeiro motivo é pessoal.

Eu por exemplo, não gosto de pedir ajuda. Minha independência e desenvoltura perante a vida são uma fonte de orgulho para mim. E mesmo não sendo contra colaborar para o sucesso das outras pessoas, não gosto de colocar nas mãos de ninguém o meu próprio sucesso. Isso é meu, da minha personalidade.

A segunda razão é um pouco maior e mais profunda.

As mulheres trabalharam muitos e muitos anos para provar para todo mundo que são iguais aos homens. Isso nem deveria ser necessário, mas para ter acesso aos mesmos benefícios que os homens (que por sinal ainda não estamos recebendo totalmente), as mulheres foram muito além para demonstrar que suas habilidades são as mesmas ou até melhores do que as deles.

Fomos tão além em nossa evolução social que agora, demonstrar uma gota de fraqueza, pode fazer com que todo o progresso que tivemos seja arrancado de nós de uma só vez.
Ainda sentimos esse tipo de preconceito velado em algumas situações.
Sempre que uma mulher pede ajuda, principalmente em situações profissionais, um simples pedido pode ser interpretado como um sinal de fraqueza ou incapacidade.
Como mãe, essa sensação  fica ainda mais forte

A maternidade raramente é considerada um trabalho. Se você é mãe e dona de casa por exemplo, a percepção externa é de que você só está criando e cuidando dos seus filhos. Como você não recebe um salário por isso, você não está contribuindo para a sociedade. Só lidar com as tarefas do dia a dia, fazer comida para seus filhos, levar na escola, no médico, na natação e limpar a casa não constituem o que consideram um trabalho . Pelo menos não tanto como alguém que é empregado com um salário em uma empresa.

Se você é uma mãe que trabalha em casa, você lida com a realidade de conseguir passar mais tempo com seus filhos e precisar fazer e entregar o seu trabalho. Obviamente, esperam que você entregue um trabalho de qualidade enquanto ao mesmo tempo cria filhos “normais” que não fiquem grudados na televisão ou no tablet 24 horas por dia, que amem estar ao ar livre e que sejam capazes de se entreter sozinhos por horas a fio com potes, tampas, panelas, um rolo de barbante e canudinhos.

Mães Executivas encaram outra realidade de tentar fazer tudo sendo mães e profissionais. As reuniões, as viagens, os pediatras, as poucas horas com os filhos e os happy hours.

Nenhuma mãe está excluída do mantra “Eu posso e preciso fazer e ser TUDO”.

Ultimamente aprendi que pedir e ACEITAR ajuda é uma parte muito saudável no papel da maternidade. Não sou Super Mãe. Nenhuma de nós é, mesmo quando algumas parecem ter mais poderes do que outras em todas as tarefas diárias.

Melhorei muito em começar a pedir ajuda, principalmente quando percebo que tentar fazer 5 coisas ao mesmo tempo é muita coisa e que provavelmente nenhuma delas vai ficar bem feita.
Estou melhorando em dizer “Sim, por favor” e “Obrigada” quando aceito ajuda de outras pessoas. Estou tendo mais coragem para levantar a mão e pedir.
Meu velho impulso de Super Mãe às vezes volta, como nesse dia que tentei dar de mamar e escovar os dentes da minha filha ao mesmo tempo.

Mas a maioria dos dias, estou aprendendo que pedir ajuda não me enfraquece, mas sim me fortalece.
Porque afinal, até mesmo os maiores super-heróis não fazem tudo sozinhos. Todos eles tem um Alfred, um Dumbledore ou até mesmo uma liga de super-amigos que eles podem contar para resolver os problemas e combater o mal.

Ser uma Super Mãe também é saber com quem você pode contar. É saber pedir ajuda de forma consciente, antes do gato subir no telhado. É não se cobrar por estar pedindo.

E certifique-se de devolver o favor quando alguma amiga mamãe precisar. Somos melhores e mais fortes quando ajudamos umas as outras.
Todo mundo precisa de ajuda em algum momento da vida. E não deveria haver vergonha nenhuma em pedir ajuda quando você precisa.

Pense nisso.
Feliz dia da Mulher!

Traduzido e adaptado por Ana Paula Fragoso – Mães Executivas

Post original escrito por Naomi Gottlieb-Miller para o site Mindful Return – Leia aqui

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