Esse não é um texto negativo, como a maioria que vemos por aí, que vai enumerar a dura realidade da maternidade. Noites em claro, cálculos mirabolantes de quanto custa ter um filho ou como o relacionamento com seu marido vai acabar. Esse texto é sobre as coisas que poucas pessoas comentam de um lado da maternidade que quem ainda não é mãe não tem como vivenciar: o lado bom.

Hoje, estando do lado do time das mães, faço uma retrospecção da minha vida antes das crianças e percebo quantas coisas eu não sabia e nem imaginava sobre essa etapa que estou vivendo agora.

Sempre digo que “para saber como é ser mãe, só sendo.” Porém isso sempre me pareceu bastante injusto. Como explicar o inexplicável? Mesmo assim tenho certeza que se tivessem me dito algumas coisas positivas sobre a maternidade, talvez minha decisão formar uma família teria sido menos ansiosa e mais leve.

Aqui reuni as 5 coisas que eu gostaria que tivessem me dito antes de eu ter filhos, mesmo que eu não entendesse o significado disso naquele momento.

Eu gostaria que tivessem me dito que é possível amar muito uma criança.

Para as mulheres que levam no peito a bandeira do “eu não gosto muito de criança”, podem ficar tranquilas. Eu era a típica mulher sem paciência com crianças ( a vida inteira achei que não gostava delas…). Ter minhas próprias mudou 100% minha visão em relação a “gostar ou não” delas. Logo, quando o filho é seu, tudo muda de perspectiva.

Continuo não gostando de algumas crianças, mas meus filhos são meus filhos e nada nesse mundo ganha do amor que eu sinto por eles. E não se trata só de amor incondicional de mãe…. Gosto e me realizo quando estou com eles e sento no chão para brincar, colar figurinhas, assistir os filmes e a galinha pintadinha. Acho eles os melhores companheiros de vida! E acredite, estar com crianças e vivenciar o seu desenvolvimento é recompensador.

Eu gostaria que tivessem me dito que só fica mais legal….

Poxa vida, por que só me diziam a parte ruim dos primeiros dias?  Xi, vc não vai mais dormir, seu peito vai ficar carne viva, você vai ficar toda inchada, você vai ficar presa em casa uns 3 meses, vai perder a libido… Gente que propaganda negativa é essa? Quando você ainda não é mãe, você acredita muito nisso… e acredita mesmo! Já se prepara para virar a “sonambula gorda assexuada do peito de fora” que vai perder todos os amigos porque não sai mais de casa. O que ninguém te fala é que SIM, os primeiros 30 dias são os mais difíceis, mas que depois as coisas se encaixam e vão ficando cada vez mais fáceis. Ninguém te fala que depois de 3 meses você vai conseguir trocar fralda, fazer mamadeira e dar banho com uma mão só. Que sua capacidade de adaptação em relação ao seu filho é infinita e que a capacidade do seu filho de adaptação também e que em 6 meses vocês já estarão em uma simbiose de espírito que trará somente alegria e satisfação para sua vida. E além disso, nada supera testemunhar o desenvolvimento diário de outro ser humano.

Eu gostaria que tivessem me dito que não é tão caro assim….

Primeira coisa que a gente pensa antes de ter filhos é a infraestrutura. Realmente isso é necessário e muito importante nos dias de hoje, principalmente em nosso país.

Já sabemos que é impossível viver só de amor e que um ipad conectado ao netflix salva muitas vidas. Mas a verdade é que hoje, depois de 2 filhos, vejo alguns exageros que cometi com minha primogênita e que hoje já não faria mais. Filho só é caro quando a gente decide gastar tudo com ele. Quando digo tudo, quero dizer TU-DO: infinitas roupas, sapatos, brinquedos, passeios, festas de aniversário, viagens, tudo. E na real, eles não precisam de TUDO ao mesmo tempo agora … O básico e pequenos mimos em datas específicas são o suficiente para saciar a sua vontade e a deles. No fim do dia o que eles querem e precisam mesmo é que você sente no chão e brinque com eles. Eu precisei ter o segundo filho para enxergar isso e hoje vejo que é só isso mesmo. Minhas dívidas acabaram.

Eu gostaria que tivessem me dito que talvez eu não quisesse mais ter uma super carreira

Das coisas que eu gostaria que tivessem me dito, talvez essa seja a mais importante. Como uma clássica mulher geração X/Y, me ensinaram que ter uma profissão e exerce-la era o único caminho para o sucesso. Acreditei nisso toda minha vida assim como acreditei que conseguiria conciliar filhos e carreira com os pés nas costas, afinal, eu tinha sido criada para fazer isso. Todo mundo fez, eu também ué! Obvio! Só que não…. é o exame dar positivo que tudo ao seu redor muda, automaticamente. Do nada, a minha percepção em relação à minha carreira passou a ser totalmente diferente. Eu não queria mais ser nada além do que eu já era. Não queria promoção, não queria cargo com viagem internacional, eu só queria fazer meu trabalho direitinho e ir para minha casa cuidar da minha família. Virei aquela mulher que não é o modelo de mulher que me ensinaram a vida inteira e isso foi um paradigma difícil de quebrar. Hoje vejo que como eu, muitas mulheres não se identificam mais com o feminismo puro, da igualdade dos sexos ao extremo, do “tudo o que eles tiverem eu também quero ter”. Entendi que isso é uma escolha de cada mulher e que qualquer que seja ela, é digna de respeito e admiração. Nada mais feminista do que ser livre para escolher o que queremos ser e fazer, principalmente depois dos filhos.

Eu gostaria que tivessem me dito que a maternidade transforma você, quase que instantaneamente, numa versão muito melhor de você mesma.

Definitivamente a maternidade nos faz pessoas melhores. Atributos como paciência, compaixão, se colocar no lugar do outro, senso de coletividade e amor ao próximo são intrínsecos à realidade materna. Hoje sou muito melhor mulher e ser humano do que há 5 anos atrás e tenho certeza que ainda estou no início dessa curva de aprendizado. Os desafios emocionais e humanos diários que enfrentamos como mães nos faz ser experts naquilo que o mundo mais precisa hoje: amor. O amor é o motor de todos os demais sentimentos positivos do ser humano. Saber se conectar profundamente com nossos filhos nos ajuda a nos conectar com outras pessoas, e passamos a pregar o amor e a camaradagem entre os nossos semelhantes. Sem contar que ensina os nossos filhos a fazer o mesmo. Não há no mundo um curso mais intensivo de como amar e ser amado, e esse curso para quem é mãe, é de graça!

E você? O que gostaria que tivessem te dito quando você ainda não era mãe? Coloque aqui embaixo nos comentários!

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